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Presidente da Comissão Europeia quer evitar saída da Grécia do euro

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(Foto: Divulgação)
O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, afirmou que deseja evitar a saída da Grécia da zona do euro e que chegou o momento de um novo encontro à mesa de negociações, poucas horas antes de uma reunião de cúpula da Eurozona sobre a crise.Juncker fez as declarações no Parlamento Europeu em Estrasburgo, dois dias depois da vitória do não no referendo da Grécia sobre as exigências dos credores de Atenas.Minha vontade, meu desejo é evitar um Grexit, afirmou Juncker, usando o termo pelo qual a eventual saída da Grécia da Eurozona é conhecida.Há aqueles dentro da UE [União Europeia] que desejam, abertamente ou sem anunciar, que a Grécia saia da Eurozona: as respostas mais simples são geralmente as ruins, disse.A Comissão fará todo o necessário para que as negociações sejam retomadas. É o momento de reunir-se novamente à mesa de negociações, completou Juncker, antes de advertir, no entanto, que uma solução não será encontrada na reunião desta terça-feira (6).Também afirmou que pedirá explicações ao primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, por ter organizado o referendo de domingo sobre um plano que havia expirado. As propostas dos credores haviam sido apresentadas oito dias antes e integravam um programa de ajuda que deixou de ter validade no dia 30 de junho.Nesta manhã, o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, disse que a organização que reúne ministros das Finanças está disposta a fazer de tudo para manter a Grécia no euro, mas advertiu que também exige que Atenas apresente um acordo crível. Nas últimas semanas e meses, o Eurogrupo tem sido muito cavalheiro em sua posição, e isso significa que estamos preparados para fazer o que for necessário para manter a zona do euro unida, disse Dijsselbloem.Dinheiro para os bancosO Banco Central Europeu (BCE) decidiu nesta segunda-feira (6) manter a linha de liquidez de emergência (ELA, na sigla em inglês) aos bancos gregos. Em comunicado, o BCE afirmou que a provisão será mantida nos níveis do dia 26 de junho, mas que a ajuda só pode ser fornecida com garantias suficientes. Sem recursosA ELA são recursos disponibilizados para bancos que estejam com problemas de falta de dinheiro, como é o caso dos bancos gregos, através do Banco da Grécia, para que eles se mantenham funcionando. No nível de 26 de junho, o crédito autorizado era de € 89 bilhões. Acredita-se que os bancos gregos tenham pouco menos de € 50 bilhões nesses recursos.O BC europeu também afirmou que vai ajustar o valor das garantias – isso significa que elas não são aceitas por seu valor de face e que sofrerão descontos, para se adequar ao risco econômico da Grécia. Isso deve reduzir a capacidade dos bancos de receber esses recursos e aumentar o risco de quebra das instituições.O Conselho (do BCE) está monitorando de perto a situação dos mercados financeiros e as potenciais implicações para a política monetária e para o equilíbrio de riscos à estabilidade de preços na zona do euro. O Conselho está determinado a usar todos os instrumentos disponíveis, diz o comunicado.Bancos fechadosO governo da Grécia vai manter os bancos do país fechados até quarta-feira (8), segundo a presidente da Associação Helênica dos Bancos, Louka Katseli. Desde a semana passada, apenas algumas agências estão funcionando, e só para pagamento de aposentadorias. Nos caixas eletrônicos, os saques estão limitados a € 60 diários.A medida foi tomada para evitar que bancos gregos fiquem sem recursos e entrem em colapso. O primeiro-ministro Alexis Tsipras, no entanto, havia prometido a reabertura das instituições financeiras para esta terça-feira.No domingo (5), os gregos rejeitaram, em referendo, as condições impostas pelos credores europeus para extensão da ajuda ao país, que incluíam aumento de impostos e cortes nas aposentadorias.O governo grego espera que esse resultado dê mais poder de barganha ao país na negociação com os credores. Mas a Grécia agora corre contra o tempo para conseguir uma nova ajuda antes que os bancos fiquem sem dinheiro e antes do vencimento de uma parcela de € 3,5 bilhões que a Grécia deve pagar ao Banco Central Europeu até dia 20 julho.NegociaçõesNesta segunda, Tsipras concordou, em uma conversa por telefone com a chanceler alemã Angela Merkel, que Atenas apresente nesta terça, na cúpula europeia, novas propostas do governo grego visando a um acordo com os credores europeus e o Fundo Monetário Internacional (FMI), afirma um comunicado oficial da Grécia.O Eurogrupo (reunião informal dos ministros das Finanças da zona do euro), que começará às 11h (8h em Brasília) desta terça, debaterá a situação após o referendo na Grécia, realizado neste domingo. Os ministros esperam novas propostas das autoridades gregas, disse o comunicado.Em nota, a diretora do FMI, Christine Lagarde, afirmou que o fundo está monitorando de perto a situação e está pronta para ajudar a Grécia se solicitado.O presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, disse no domingo, após a divulgação do resultado da consulta grega, que esperava novas iniciativas do governo liderado por Alexis Tsipras para voltar à mesa de negociações.Nesta segunda, Dijsselbloem afirmou que a meta continua a ser a permanência da Grécia como membro da zona do euro, mas reconheceu que estão por ver se esse objetivo ainda pode ser alcançado, após a vitória do não no referendo grego.Os gregos querem ficar na zona do euro. Essa é também minha meta. Mas se conseguiremos, vamos ver, disse à agência ANP o presidente do Eurogrupo em sua chegada nesta segunda à reunião em Haia do conselho de ministros da Holanda.O também ministro de Finanças da Holanda destacou que a rejeição de 61,3% dos eleitores gregos às últimas propostas dos credores não facilita a situação e torna mais difícil encontrar uma solução. Dijsselbloem insistiu que são necessárias medidas duras para alcançar uma situação econômica aceitável na Grécia, ao mesmo tempo em que afirmou que não existe uma solução fácil.Reunião de ministrosO Eurogrupo insistiu nesta segunda que a consulta foi convocada depois de o governo grego se retirar unilateralmente das negociações em andamento com as instituições, a troika, formada por FMI, Comissão Europeia (CE) e Banco Central Europeu (BCE).Estas negociações discutiam o plano de reformas amplo que a Grécia teria que pactuar com seus sócios e aplicar como parte das condições associadas ao seu segundo resgate bancário, assinado em 20 de fevereiro, quando foram concedidos quatro meses de prorrogação do resgate expirado em 30 de junho do ano passado.